sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O Quadro Negro da Educação

O objetivo é mais que provocar reflexões. O Quadro Negro da Educação não pretende consertar nem corrigir nada, mas incomodar, pois, só pensamos, refletimos e agimos quando nos sentimos incomodados com alguma coisa.
A humanidade só buscou novos horizontes superando obstáculos e ultrapassando barreiras e fronteiras porque se sentiu incomodada com a situação que se encontrava, portanto, buscou superar suas necessidades rompendo seus limites, criando meios para viver mais comodamente e acabou se acomodando demais.
Não pretendemos ensinar como se deve ensinar porque também não sabemos, mas só aprendemos quando eliminamos os bloqueios que nos impedem de aprender. Como escreveu o mestre Guimarães Rosa: “Mestre é aquele que continua sempre aprendendo”.
É preciso tirar a máscara, o “guarda-pó”, despir-se do figurino de professor, esquecer as correntes pedagógicas que defende, tirar o rótulo de educador para se livrar dos obstáculos que o impedem de compreender e aceitar propostas e novas idéias antes de conhecê-las e analisá-las.
A posição do professor é de sempre rejeitar, opor-se a qualquer texto que critique sua postura em sala de aula e dentro da escola. A proposta não é a de criticar a postura do professor, mas observar o conjunto em que está inserido e como se relaciona com as situações educacionais.
Para crescer é preciso analisar as propostas, descartar as ineficazes e assimilar as eficazes. Mas como saber quais as propostas eficazes se não conhecermos e experimentarmos?
Inovações e mudanças não são aceitas pelas pessoas com facilidade, pois muita gente não está tão receptiva. É difícil aceitar que somos falíveis, sensíveis, mutáveis, humanos e muitas vezes responsáveis por muitos erros. É mais fácil apontar o dedo e culpar “alguém”.
Só poderemos consertar algo ou melhorar nossa condição de trabalho quando aceitarmos que também fazemos parte do processo de melhoria e desenvolvimento da educação e da sociedade.
Muita gente mascara a realidade da escola. Quem está na escola e não fala como ela é de verdade, sofre sua pressão.
Ninguém conta o que realmente acontece dentro de uma instituição como a escola por medo de punição ou por cumplicidade. Todos escondem a realidade, a verdadeira realidade.
Não estamos falando de criticar a escola por criticar, pois não resolve os problemas da educação nem os do professor.
Quando criticamos só por criticar a instituição que estudamos ou trabalhamos estamos também condenando nosso futuro. Se dissermos que estudamos numa escola ruim, significa dizer que tivemos uma formação ruim. Se apresentarmos nosso currículo a uma empresa, o entrevistador poderá perguntar se estudamos naquela escola ruim. E se estudamos numa escola ruim, pode ser que sejamos profissionais ruins.
Se trabalhamos numa empresa – no caso escolas – e criticamos nosso trabalho, nossa função, nossos colegas – funcionários, diretores, etc. – apenas por criticar, também estamos nos condenando e nos taxando como professores ou funcionários ruins, pois somos membros daquilo que criticamos. Por isso, cuidado com o que se critica.
Sabemos que não é fácil ser professor, mas para quem acredita que é tão ruim ser professor é melhor mudar de profissão, pois quem vive fazendo o que não gosta, nunca poderá ser feliz nem pode progredir na profissão. Se for bom ser professor porque reclamar tanto? A reclamação torna-se um vício. Habitua-se a reclamar dos alunos, dos diretores, do governo, da família, da vida.
Não pretendemos julgar o professor, nem culpá-lo pelo fracasso da Educação. Entendemos que o maior problema da Educação é puramente político. Educação é um ato político, mas deve ter autonomia para se livrar dos politiqueiros que se declaram defensores da educação e apenas querem desviar sua verba.
Acreditamos que o único responsável por uma boa educação e capaz de satisfazer as necessidades das escolas e de seus envolvidos é o professor porque é quem pisa no chão da escola.
Acreditamos também que o professor precisa capacitar-se mais para acompanhar as mudanças da sociedade porque os alunos não são os mesmos de antes e não adianta lamentar que antigamente era assim ou assado, pois estamos no presente e o professor deve lecionar para o aluno do presente, mesmo que este aluno não esteja tão presente na sala de aula.
Nem o melhor professor do mundo consegue “ensinar” se o aluno não quer aprender. O aluno só aprende o que quer. Não aprende mesmo com o melhor professor se não quiser aprender. Mas o aluno aprende mesmo com o pior professor se tiver vontade de aprender.
O melhor professor só é o melhor porque tem os melhores alunos.
O melhor professor é VOCÊ!
Boa aula!




(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação: a escola de que se fala e a escola de que se sofre. ABR Editora, 2009)