quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Onde está o problema da escola?


Serão os professores? Talvez estejam mal preparados, mas se for apenas isso basta um melhor preparo, cursos de capacitação.
Pode ser que o problema esteja na falta de interesse dos alunos, então como fazer para que o aluno passe a se interessar pelas aulas e pela escola?
Talvez não exista um problema, pode ser apenas uma fase de mudança, de transição e adaptação da sociedade que inevitavelmente reflete na escola.
É difícil aceitar mudanças. Elas provocam instabilidade e medo. Porém, as mudanças fazem parte da dinâmica da sociedade. Mudanças sempre foram e sempre serão vitais para a humanidade, pois permitem o aperfeiçoamento e o conhecimento. Algumas “espécies” desaparecem, surgem outras. Algumas profissões são extintas, outras entram em cena.
Apesar de existir professores mal preparados, funcionários incompetentes, diretores que não dirigem nada, secretários de educação que não entendem nada de educação, a educação está resistindo e sobrevivendo – claro que não são todos, a maioria é competente – o problema é político. Enquanto a educação continuar sendo administrada por pessoas que não têm competência e que nunca pisaram numa sala de aula, as escolas continuarão sendo alvo de políticos preocupados apenas com a verba da educação.





(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Quanto mais leciono... Mais amo minha família!


Muitos professores se desgastam tanto em sala de aula devido ao comportamento dos educandos que chegam a proferir que cada aula que “sofrem” buscam a cura no aconchego do lar. Um professor disse que quanto mais entra numa sala de aula mais ama sua família.
É confortante acreditar que a família do professor seja a cura para seu sofrimento, é sinal que há salvação, pelo menos para o professor.
Porém, infelizmente, a família também sofre porque o professor não suporta a carga do trabalho e descarrega também em casa, na família.
É lamentável ouvir isso, mas é a realidade da Educação brasileira. Os profissionais da educação estão cada vez mais desgastados, estressados e com depressão. Alguns sofrem o pânico da sala de aula. A profissão do professor se tornou um trabalho muito difícil por causa dos problemas que agravaram a educação.
Dizer que lecionar é um sacrifício, um sofrimento, tarefa árdua, significa que algo está errado, ou muitas coisas estão erradas. Talvez os professores não estejam preparados psicologicamente, como é mais fácil e comum se dizer. Talvez o sistema educacional esteja ultrapassado. Acredito que a Secretaria de Educação está cobrando algo dos professores que está além de suas competências. Os profissionais que trabalham em gabinetes não conhecem a realidade da Educação. São profissionais que nunca pisaram numa sala de aula de uma escola estatal ou se pisaram se esqueceram que ela existe.
Para os burocratas é interessante que fique comprovado que não é preciso professor para que o aluno aprenda. Basta um monitor, já que é um trabalho depressivo e causa tanta despesa para o estado.
Se a educação estatal se acabar, se a escola convencional se acabar, o que os professores farão?
Com a Educação a Distância e a escola em decadência quem serão os professores?
Imagine que o Estado feche as escolas. Economiza com manutenção de prédios, água, iluminação, merenda. Os professores e funcionários são exonerados. Economizam com salários, férias, décimo terceiro, bônus, licenças médicas. O Estado evita problemas com violência nas escolas e depredação de prédios. Então o governo implanta a Educação à Distância a partir do primeiro ano do ensino fundamental até o ensino superior. Parece loucura, alucinação. Pouco tempo atrás, era absurdo dizer que um dia existiriam faculdades à distância, hoje é realidade. Basta o Estado concentrar tudo num prédio, instalar uma central de computadores conectados à internet, alguns monitores transmitindo atividades e pronto. Sem sair de casa, o aluno “estuda”, é “avaliado”, “aprovado” e pronto. Acabam os problemas com professores, greves, paralisações e dores de cabeço para os governantes. Os professores então terão mais tempo para suas famílias.





(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)



terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Quem agüenta?

Que professor agüenta o descaso de pais que reclamam que trabalham e não tem tempo para perder com a indisciplina dos filhos dizendo que é problema da escola? Alguns pais atribuem a responsabilidade ao professor, afinal, segundo alguns pais, é o professor a autoridade na sala de aula. Portanto, resolva.
Em 2008 a diretora de uma escola telefonou para o pai de um aluno que havia desacatado gravemente um professor após ter perturbado durante a aula inteira os colegas da classe. O aluno já era “cliente” da direção, pois, causava “problemas” o tempo todo, em todas as aulas, todo dia, com todos os professores, o ano inteiro, há vários anos. O pai ouviu a queixa da diretora, resmungou e respondeu que não podia ser incomodado naquele momento porque estava trabalhando. A diretora respondeu ao pai que ela e seus professores também estavam trabalhando e que o filho dele estava atrapalhando o trabalho docente e decente daquela escola.
Há pessoas grotescas em todo lugar, até na escola, instituição de educação. Houve casos de inspetores de alunos que ordenaram aos professores que mantivessem os alunos dentro da sala, pois estavam circulando muito pelo corredor. Há funcionários que entram na sala de aula sem bater na porta nem pedir licença, chamam a atenção do professor perante os alunos e saem batendo a porta. Sem exagero situações como estas ocorrem em escolas.





(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

“Selva de aula” ou sala de aula?


Numa escola estadual no ano de 2007, no período noturno em uma sala de aula do segundo ano do ensino médio, composta por cinqüenta e três alunos, um deles saiu da sala de aula descaradamente sem que o professor percebesse, atravessou engatinhando, ou seja, “de quatro”, um corredor de trinta metros de comprimento, para fugir da escola. O motivo não foi apurado, tudo indica que aluno apenas queria ir embora.
Talvez a aula fosse sobre táticas de guerra ou sobrevivência na “selva de aula”, digo, na sala de aula. Mas era de Inglês, ministrada por uma bela e jovem professora.
Ao passar rastejando por baixo do balcão da secretaria, faltando apenas três metros para completar a fuga – o aluno conseguiu rastejar vinte e sete metros sem ser percebido -, a professora que estava na sala ao notar a ausência do aluno fugitivo saiu da sala e avistando o fujão gritou despertando a atenção de todos que estavam na escola. A diretora imediatamente rumou na direção do grito e “deu de cara” com a “ovelha desgarrada” tentando fugir do rebanho. Como boa pastora, percebendo o ocorrido, a diretora advertiu verbalmente o aluno, fez com que ele voltasse para a sala, “de quatro”, e se esborrachou de rir, afinal a cena é hilária.
Na mesma escola uma aluna da sétima série do ensino fundamental, no período da tarde, ousou desafiar a paciência de outro professor e decidiu correr pela sala de aula durante uma avaliação de história. Depois foi “consultar” as repostas dos colegas. Ao ser advertida pelo professor respondeu estava apenas conferindo as avaliações com os colegas da sala, queria comparar as respostas.
Situações como estas ocorrem diariamente em escolas estatais e particulares. A falta de respeito dos alunos tratando os professores como se fossem “coleguinhas” vem aumentando. Estes alunos ficam impunes - como muita coisa que ocorre no Brasil – e se fortalecem cada vez mais.
A falta de respeito não é só com professores, é também com os próprios pais. Às vezes parece que os jovens “respeitam e temem” mais os professores que os pais.
Muitos alunos e muitos indivíduos na sociedade falam de Deus, paz, amor, dizem que “somos todos irmãos e filhos de Deus”, na Igreja são alegres, se abraçam, sorriam, sonham com um mundo melhor. Mas ao chegar em casa tratam os pais como se fossem lixo. Na escola tratam os professores como se fosse lixo.
De que adianta nesses casos, fazer citações bíblicas, declarar lindas palavras de amor a estranhos e em casa e na escola agir como delinqüente?
O que esperar do Mundo, da Vida, da Educação? Nada? Somos e conseguimos aquilo que esperamos e desejamos. Se não esperamos nada do Mundo, da Vida, da Educação, não teremos nada.
Se não esperamos nada, corremos o risco de sermos devorados na selva de aula. Mas se esperamos algo temos a chance de sobreviver na selva e chegar à sala de aula com vida.





(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)

domingo, 9 de janeiro de 2011

O aluno que multiplica

Uma professora de matemática – em 2007 - propôs aos alunos da quinta série do ensino regular, de uma escola estadual que montassem ou construíssem uma história com os números quarenta e cinco e trinta e cinco. A professora explicou que queria que um número fosse multiplicado por outro. Até então nada complicado para uma professora de matemática. Talvez não seja tão fácil de compreender quando se tem onze anos de idade.
Todos os alunos da sala realizaram a atividade proposta para aquela aula e entregaram à professora. Certamente nem todos conseguiram atingir o resultado esperado pela professora devido o grau de complicação daquela atividade e principalmente pela dificuldade de se escrever um texto, mas sendo uma professora experiente, sabia que usaria aquela atividade para reconhecer as dificuldades e falhas de seus alunos e aproveitaria para planejar suas aulas com a finalidade de sanar aquela e outras dúvidas.
Porém, uma atividade chamou a atenção da professora que ficou estarrecida com o fato. O coordenador, a diretora e outros professores da escola ficaram impressionados. Um aluno de treze anos de idade – na quinta série - escreveu o seguinte texto...












(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR. 2009)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Diário de Classe




Durante um ano letivo vários professores registraram em seus diários de classe no campo de observações, as ocorrências dos alunos durante suas aulas.
No segundo ano do ensino médio do período noturno os alunos estão barulhentos, conversam, gritam, andam pela sala, entram e saem da sala quando “querem”. Muitos alunos deixam o MP3 ou o celular ligado com músicas barulhentas. Vários aparelhos ligados ao mesmo tempo, cada um com um som diferente e com volume altíssimo. Alguns alunos dançam hip hop na sala como se estivessem num festival de danças de rua.
No outro dia, com o mesmo professor, na mesma sala, com apenas vinte e três alunos, pois mais da metade da sala havia faltado, o professor fez uma atividade para que os alunos pudessem refletir, discutir e responder algumas questões expondo opiniões pessoais sobre uma determinada situação. Muitos alunos estavam andando pela sala, jogando bolas e aviõezinhos de papel feitos com as atividades. Gritam e vibram por qualquer fato ocorrido na sala, como se estivessem num estádio de futebol gritando:olé! Conversam sobre assuntos banais, banalizando ainda mais temas como sexualidade, namoro, drogas, entre outros assuntos. Também jogam cadernos pela sala sem considerar a presença do professor ou de outros colegas de classe. O descaso é real. O desprezo pela aula é quase total, pois alguns alunos vêm para “estudar”, enquanto outros liberam seus instintos “selvagens, animalescos e infantis”, talvez pensem estar num zoológico.
Durante uma aula, de outro professor, enquanto um dos alunos fazia a leitura de um texto para ser interpretado e discutido em grupos, os demais alunos conversavam paralelamente à leitura do texto, sobre outros assuntos, alguns estavam quietos ouvindo som de um celular barulhento, algumas meninas, ou moças, já que são maiores de idade, se maquiavam com batom, brilho, se olhavam no espelho – talvez para saber se o espelho está bonito -, penteavam os cabelos – faltou alisar com “chapinha” -, ajeitavam o peito – os seios -, olhavam o bumbum da colega, olhavam para o próprio bumbum – talvez, para comparar os bumbuns -, e ninguém está interessado no assunto lido pelo colega que continua lendo o texto sem se importar com a falta de atenção e o desinteresse dos colegas.





(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Salas de bate-papo


Nas salas de aula, superlotadas – aproximadamente quarenta e cinco por sala -, com alunos “falantes”, e é claro que são falantes, pois não são mudos, são falantes e barulhentos, portanto, falam durante a aula o tempo todo, “assistem”, se é que se pode dizer que assistem, aula de costas para o professor, com fone de ouvido no ouvido, celular na mão, baralho, batom, brilho, espelhos, entre outros adereços que compõem o kit aluno.
Enquanto o professor tenta expor o assunto da aula aos alunos “presentes”, ocupantes de espaço numa sala de aula, outros seres ocupantes de espaço continuam na sala, mas na “sala de bate-papo”.
As salas de aula já se tornaram salas de bate-papo. Os alunos conversam sobre o assunto que interessa a eles e ignoram a presença do professor. Acreditam que o professor é um intruso que invade o espaço deles, sem pedir licença e atrapalha suas atividades “on-line ou off-line”.
O barulho, ruído, som produzido pelos alunos dentro de uma sala de aula é prejudicial à saúde do professor e dos próprios alunos. É tão óbvio, porém, ninguém enxerga, digo, ninguém ouve, nem age para acabar com o problema, nem o professor, o mais prejudicado com tanto barulho. Todos acabam se habituando ou ficando surdos que não conseguem ouvir mesmo.





(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)


quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Escola Pública ou Estatal?


Quando a política for separada da educação, digo a politicagem, a educação melhorará. A educação é um movimento político, mas não deve estar a mercê de politiqueiros que usam a bandeira da educação apenas para se promoverem em períodos de reivindicações dos profissionais da educação, em palanques de greve ou através de “líderes sindicais” que só carregam a bandeira e só vestem a camisa da educação em época de eleições.
Muitos políticos falam que a escola pública estatal está ótima, porém, poucos matriculam os filhos nela. Por quê? Porque são demagogos e não acreditam na escola que é administrada e mantida pelo Estado. O Estado também é administrado por “homens” eleitos pelo povo para governar a favor do povo, mas acabam defendendo seus interesses particulares ignorando as necessidades do povo e deixando as escolas sucateadas.
O aluno é tão “importante” para o Estado que investe mais em presídios e gasta mais com presidiários do que com os alunos e construção de escolas.





(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

CTRL/C – CTRL/V - Geração Xerox

Na História da Educação o desinteresse sempre esteve presente. Sempre existiram alunos que não gostam de estudar. Só que antigamente freqüentavam as escolas apenas aqueles que tinham condições financeiras para estudar, que não precisavam trabalhar para ajudar os pais com a renda familiar.
Após o processo de democratização das escolas estatais, o ensino fundamental tornou-se obrigatório para crianças e jovens em idade de freqüentar a escola. Desde que os educandos tenham menos de dezoito anos de idade, os pais são obrigados a matricular e acompanhar os filhos, verificando a freqüência e o rendimento escolar – claro que isso nem sempre é feito – evitando que haja evasão escolar. Mesmo que os pais sejam pobres, são obrigados por força da Lei a manter os filhos menores na escola.
Atualmente, os pais são responsabilizados pela baixa freqüência dos filhos na escola e podem até responder processo por irresponsabilidade.
O resultado foi o aumento de estudantes, ou alunos matriculados na rede estatal de educação, abrangendo todas as camadas sociais, sem exceção.
Do ponto de vista democrático é a coisa certa, pois, todos os membros da sociedade devem freqüentar escola e possuir grau de instrução satisfatório ao desenvolvimento individual e coletivo.
Mesmo assim, muitas crianças não eram matriculadas pelos pais – contrariando a lei – porque precisavam trabalhar – em olarias, carvoarias, pedreiras, roça, entre outras atividades – para ajudar a complementar a renda familiar.
Por outro lado, os governos exigem a presença dos alunos nas escolas sem criar uma forma de mantê-lo por vontade própria, pois, muitos jovens vão à escola porque são obrigados por lei e porque recebem “doações” do governo para permanecerem na escola. Mas só estão presentes fisicamente, pois suas mentes estão em outra dimensão.





(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Sonho ou pesadelo?

A escola dos sonhos não pode ser transformada em escola dos pesadelos como vem acontecendo. Há momentos que tudo parece um sonho, um conto de fadas. Quando iniciamos a carreira de professor ou educador, tudo é tão fascinante. Logo que saímos da “universidade”, estamos cheio de esperanças, ideologias, sonhos, utopias, vontade de lecionar. É tudo tão lindo, maravilhoso, o primeiro salário anima ainda mais, reforçando a vontade de realizar mais e realizar-se como professor.
Depois vem o momento da decepção, das desilusões, do arrependimento. O sonho virou pesadelo. O professor já está desgastado, cansado, revoltado. Mas nem tudo está perdido. Há altas e baixas na Educação, uma oscilação radical de um extremo a outro. Logo chegará a fase melhor, com a ajuda do professor, peça fundamental para a melhoria da Educação.
Escolas boas e ruins existem em todos os lugares do mundo. No Brasil nem todas as escolas são ruins, apenas algumas poucas são péssimas. O que está ruim no Brasil é a situação sócio-econômica, a grande desigualdade social que provocam o desinteresse da população pela educação e a descrença num futuro melhor. Esse problema reflete na escola, nas salas de aula, principalmente de escolas estatais (estaduais e municipais). A escola neste caso funciona como esgoto da política nacional. Tudo que é decidido no Congresso Nacional, na Assembléia Legislativa e nas Câmaras Municipais, afeta o cotidiano do povo e “deságua” na escola.





(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Quem não cola não sai da escola

Na escola de que falamos o aluno não cola, mas na escola de que sofremos muitos alunos colam. Nem todos os educandos trapaceiam, mas boa parte prefere o risco de ser punido por estar colando do que ficar com nota baixa por não colar, afinal, para o aluno que cola e trapaceia, os fins justificam os meios.
Esta crença está presente entre muitos alunos do ensino fundamental ao ensino superior. Quantos estudantes já tentaram colar numa avaliação. Muitos conseguiram, outros foram interceptados pelo professor que tem de ter muitos olhos em dia de “prova”. Mas quem nunca tentou colar que atire a primeira cola.
Alguns professores confessaram que colaram em concurso público. Não podemos generalizar, pois alguns não são todos nem a maioria, mas é muita falta de caráter e contraditório ao que pregam na sala de aula. Como exigir que um aluno não cole?
Muitas vezes professores não querem ler ou escrever, então como cobrar dos alunos leitura e escrita?
(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Existe vida pós-sala de aula?

Muitos professores reclamam das condições de trabalho, do baixo salário, do abuso de poder dos diretores, da falta de respeito dos alunos, da falta de reconhecimento da sociedade, da falta de investimento adequado do governo. As queixas são diversas. A insatisfação dos professores é grande. Muitos acreditam que suas vidas se desgraçaram. O pior é que com tanta reclamação e falta de esperança, os professores que sofrem ainda continuam sofrendo e reclamando e não deixam o magistério por falta de opção e até por falta de competência e habilidade para atuar em outras áreas.
Confesso que fiquei mais triste após alguns anos em sala de aula. Era mais alegre, disposto. Deve-se considerar que estou mais velho, mais maduro, desgastado, chato e rabugento. Talvez seja a “síndrome do professor”, ser chato e rabugento. As dificuldades pessoais, familiares, profissionais, financeiras, agravam os problemas. Não podemos culpar os alunos, nem os pais e nem mesmo o governo. É um conjunto de fatos que constroem situações agradáveis e também desagradáveis.
É verdade que muitos professores não se esforçam para melhorar a aula nem colabora para a melhoria do ensino, mas a maioria participa, luta, batalha para construir uma escola melhor, uma escola ideal, a escola de que falamos.





(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)

sábado, 1 de janeiro de 2011

A escola de que sofremos

A escola de que sofremos é a escola real que existe fora do papel, no concreto mesmo. É a escola construída de bloco de cimento – com orçamento superfaturado -, com salas apertadas, abafadas no verão e geladas no inverno causando desconforto, incômodo e mal-estar. O som se espalha pela escola toda atrapalhando a aula da sala ao lado, pois não há acústica adequada para isolar o barulho e permitir uma audição agradável. A iluminação é precária, muitas vezes funciona apenas metade das lâmpadas porque a outra metade está queimada.
A maioria das escolas não possui biblioteca, mas depósito de papéis – livros velhos e embolorados – estragando ou calçando armários. Quando tem uma pseudo-biblioteca esta não pode ser chamada assim por não ter um bibliotecário formado para organizá-la, portanto é chamada de sala de leitura e quem cuida dela é sempre um professor readaptado que muitas vezes apesar da boa vontade, sofre por não ser capacitado para exercer tal função.




(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)