sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Salas de bate-papo


Nas salas de aula, superlotadas – aproximadamente quarenta e cinco por sala -, com alunos “falantes”, e é claro que são falantes, pois não são mudos, são falantes e barulhentos, portanto, falam durante a aula o tempo todo, “assistem”, se é que se pode dizer que assistem, aula de costas para o professor, com fone de ouvido no ouvido, celular na mão, baralho, batom, brilho, espelhos, entre outros adereços que compõem o kit aluno.
Enquanto o professor tenta expor o assunto da aula aos alunos “presentes”, ocupantes de espaço numa sala de aula, outros seres ocupantes de espaço continuam na sala, mas na “sala de bate-papo”.
As salas de aula já se tornaram salas de bate-papo. Os alunos conversam sobre o assunto que interessa a eles e ignoram a presença do professor. Acreditam que o professor é um intruso que invade o espaço deles, sem pedir licença e atrapalha suas atividades “on-line ou off-line”.
O barulho, ruído, som produzido pelos alunos dentro de uma sala de aula é prejudicial à saúde do professor e dos próprios alunos. É tão óbvio, porém, ninguém enxerga, digo, ninguém ouve, nem age para acabar com o problema, nem o professor, o mais prejudicado com tanto barulho. Todos acabam se habituando ou ficando surdos que não conseguem ouvir mesmo.





(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)


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