Durante um ano letivo vários professores registraram em seus diários de classe no campo de observações, as ocorrências dos alunos durante suas aulas.
No segundo ano do ensino médio do período noturno os alunos estão barulhentos, conversam, gritam, andam pela sala, entram e saem da sala quando “querem”. Muitos alunos deixam o MP3 ou o celular ligado com músicas barulhentas. Vários aparelhos ligados ao mesmo tempo, cada um com um som diferente e com volume altíssimo. Alguns alunos dançam hip hop na sala como se estivessem num festival de danças de rua.
No outro dia, com o mesmo professor, na mesma sala, com apenas vinte e três alunos, pois mais da metade da sala havia faltado, o professor fez uma atividade para que os alunos pudessem refletir, discutir e responder algumas questões expondo opiniões pessoais sobre uma determinada situação. Muitos alunos estavam andando pela sala, jogando bolas e aviõezinhos de papel feitos com as atividades. Gritam e vibram por qualquer fato ocorrido na sala, como se estivessem num estádio de futebol gritando:olé! Conversam sobre assuntos banais, banalizando ainda mais temas como sexualidade, namoro, drogas, entre outros assuntos. Também jogam cadernos pela sala sem considerar a presença do professor ou de outros colegas de classe. O descaso é real. O desprezo pela aula é quase total, pois alguns alunos vêm para “estudar”, enquanto outros liberam seus instintos “selvagens, animalescos e infantis”, talvez pensem estar num zoológico.
Durante uma aula, de outro professor, enquanto um dos alunos fazia a leitura de um texto para ser interpretado e discutido em grupos, os demais alunos conversavam paralelamente à leitura do texto, sobre outros assuntos, alguns estavam quietos ouvindo som de um celular barulhento, algumas meninas, ou moças, já que são maiores de idade, se maquiavam com batom, brilho, se olhavam no espelho – talvez para saber se o espelho está bonito -, penteavam os cabelos – faltou alisar com “chapinha” -, ajeitavam o peito – os seios -, olhavam o bumbum da colega, olhavam para o próprio bumbum – talvez, para comparar os bumbuns -, e ninguém está interessado no assunto lido pelo colega que continua lendo o texto sem se importar com a falta de atenção e o desinteresse dos colegas.
(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)


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