sábado, 12 de setembro de 2009

A escola de que se fala e a escola de que se sofre

A escola de que se fala – estadual e municipal, ou seja, estatal – é aquela que a propaganda oficial governamental veicula na mídia, muitas vezes exagerada, outras equivocada. A propaganda oficial das instituições governamentais mostra escolas que recebem equipamentos de última geração para apoiar o trabalho docente e melhorar a aprendizagem. Os professores são bem remunerados e capacitados, os educandos são bem educados e comportados, sem nenhum problema sócio-econômico. As estatísticas sempre comprovam os bons resultados. Mas será que podemos confiar nas estatísticas? Esses resultados são “números” que não revelam a realidade educacional brasileira.


(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação:
a escola de que se fala e a escola de que se sofre,
ABR Editora, 2009)


quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Professor




Ser professor é ser incomum, singular, impar. Suas qualidades estão além do que pode imaginar. É ser amado e odiado ao mesmo tempo, mais amado que odiado, felizmente. É ser moderno e arcaico simultaneamente. É estar certo e errado concomitantemente. É ser mestre e discípulo na mesma tautocronia. É ser herói e vilão com o mesmo sincronismo. É ser “legal e chato” ao mesmo tempo. Ser professor é ser mortal e imortal.
Meu primeiro dia numa sala de aula como professor foi emocionante. Semelhante a um orgasmo, sem exagero, êxtase total.Alguns anos de faculdade preparando-me para lecionar criaram um ideal platônico – talvez todo ideal seja platônico – um desejo profundo de entrar numa sala de aula e “dar aula”. É o sonho de todo professor, professorar, ensinar, ministrar a disciplina que estudou para lecionar. Ser formador de opiniões, revolucionar a educação e a sociedade.


(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação:
a escola de que se fala e a escola de que se sofre, ABR Editora, 2009)

domingo, 12 de julho de 2009

A Escola

A escola é o lugar onde se faz amizades, se constroem conhecimento e se relacionam seres humanos. E todo lugar assim está sujeito à intriga, mesquinharia, inimizade, inveja, desentendimento, discórdia, confusão. Mas tudo isso é superado pela força da amizade e companheirismo entre os pares que atuam na escola. Desde que estejam dispostos e comprometidos a construir um “espaço” melhor e torná-lo num ambiente agradável e saudável.
A escola é muito mais que armazéns ou depósitos de informações muitas vezes inúteis. Muito mais do que Assistência Social ou Posto de Saúde. Ela também socorre educandos que se machucam e aqueles mais necessitados e carentes de afeto, roupa, alimento e puxão de orelha.
A escola é liberdade, autonomia, ousadia. Mas precisa de alforria. Precisa romper os grilhões da politicagem que usam demagogicamente seu discurso em benefício próprio, mas não estão preocupados com o destino daqueles que freqüentam a escola.
A escola é responsável por formar e acolher o filho do empreendedor, do empresário, do estadista, do comerciante, do professor, do lavrador, do policial, do vereador, do prefeito, do faxineiro, do gari, do presidiário, do desempregado, enfim, em geral, a escola recebe todos que queiram freqüentá-la, ou que seja obrigado a permanecer em seu recinto.
Escola é o espaço dos conflitos, da dinâmica e do comodismo social. Da desigualdade social e da diferença cultural, racial e financeira. É lugar de alegria e de tristeza. De acolhimento e desabrigo. De inclusão e exclusão. De quem sabe muito e de quem pensa que sabe alguma coisa. É lugar de contradições.


(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação:
a escola de que se fala e a escola de que se sofre, ABR Editora, 2009)












sexta-feira, 12 de junho de 2009

Lançamento do livro O Quadro Negro da Educação

Realizada na Associação de Escritores de Bragança Paulista - ASES, no dia 23 de maio, às 20 horas, a palestra sobre Educação foi um sucesso. Com presença de representantes de vários segmentos que debateram sobre o tema demonstrando preocupação com o futuro da educação brasileira e a formação intelectual de crianças e jovens.
Após a palestra proferida pelo professor Volpone de Souza, houve a sessão de autógrafos do livro O Quadro Negro da Educação: a escola de que se fala e a escola de que se sofre, do autor que ministrou a palestra.



(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação: a escola de que se fala e a escola de que se sofre. ABR Editora, 2009)






domingo, 26 de abril de 2009

Educação e sua finalidade

Já ouvimos muito frases como: “Sem Educação e Cultura um país não se desenvolve”, ou “Um país não chega ao ‘Primeiro Mundo’ se não investir na Educação” e a mais usada por políticos-politiqueiros: “...porque os jovens são o futuro da nação...”.
Educação vem de educar, do latim EDUCARE (extrair, revelar, descobrir). Na teoria significa tanta coisa que na prática ninguém sabe o significado.
Na escola os professores perguntam aos alunos se os pais não deram educação, pois chegam às escolas mal-educados. Em casa os pais perguntam aos filhos se não aprenderam educação com os professores. Os educandos ficam com várias interrogações, pois não sabem de quem é a obrigação de ensinar educação. E como cobrar algo de alguém se esse alguém não sabe o que é aquilo que se cobra? Muitas vezes nem mesmo quem cobra educação sabe o que é essa tal educação.
(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação:
a escola de que se fala e a escola de que se sofre, ABR Editora)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Educação

Os educadores, os pensadores e os educadores-pensadores de todos os tempos – milhares ao longo do tempo – nem sempre concordaram quanto aos objetivos reais da Educação. Afinal, qual é a finalidade da educação, o que é educação?

Para Aristóteles, a finalidade da educação é o bem moral, no qual consiste a felicidade, definida por ele como a plenitude da realização do humano no homem.

Platão valorizava os métodos de debate e conversação como formas de alcançar o conhecimento.
Comenius o criador da Didática Moderna concebeu uma teoria humanista e espiritualista da formação do homem que resultou em propostas pedagógicas hoje consagradas ou tidas como muito avançadas.
De Jean-Jacques Rousseau, veio a idéia de que a educação é vida; deve centralizar-se na criança, encontrando sua finalidade no indivíduo, em cada estágio particular de sua vida.
Johann Heinrich Pestalozzi, foi quem aprimorou esse conceito de Rousseau. De Pestalozzi veio a idéia de que o trabalho educativo eficiente depende do conhecimento atual da criança e de uma genuína simpatia por ela; que a educação é um crescimento de dentro para fora e não uma série de acrescentamentos de fora para dentro; que este crescimento é o resultado das experiências ou atividades da criança; logo, são os objetos, não os símbolos que devem formar a base do processo de instrução; que as percepções sensoriais e não os processos da memória formam a base da primeira educação.
Johann Friedrich Herbart, contribuiu com a idéia de um processo científico de instrução a que chamou “instrução educativa”; a base científica de organização do currículo, e a idéia da formação do caráter como alvo da instrução, a ser alcançado cientificamente por meio do uso de método e de currículos definidos.
Friedrich Froebel defendeu os chamados “métodos ativos” da Escola Nova.
John Dewey não aceita a educação pela instrução proposta por Herbart, propondo a educação pela ação; critica severamente a educação tradicional, principalmente no que se refere ao intelectualismo e a memorização.
Jean Piaget revolucionou as concepções de inteligência e de desenvolvimento cognitivo partindo de pesquisas baseadas na observação e em entrevistas que realizou com crianças.
Lev S. Vygostsky construiu sua teoria tendo por base o desenvolvimento do indivíduo como resultado de um processo sócio-histórico, enfatizando o papel da linguagem e da aprendizagem nesse desenvolvimento, sendo essa teoria considerada histórico-social.
Para Paulo Freire, vivemos em uma sociedade dividida em classes, sendo que os privilégios de uns, impedem que a maioria, usufrua dos bens produzidos e, coloca como um desses bens produzidos e necessários para concretizar a vocação humana de ser mais, a educação, da qual é excluída grande parte da população do Terceiro Mundo.
Muitos outros filósofos, educadores e pensadores contribuíram para o avanço da educação, mas até agora não definimos o que é educação e qual sua finalidade. Com todas as definições e interpretações existentes, variadas e distorcidas ainda enfrentamos a dificuldade de exercer a função de educador e rastejamos em pleno século vinte e um, no terceiro milênio depois de Cristo, na busca de uma resposta, ou várias respostas a essas perguntas: o que é EDUCAÇÃO e qual sua FINALIDADE?






(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação: a escola de que se fala e a escola de que se sofre, ABR Editora, 2009)

sábado, 28 de março de 2009

Professor

Não adianta o burocrata,
o administrador, o empresário,
discutir a Reforma Educacional
se não entendem nada de Educação.
Quem mais entende de Educação
é quem pisa no chão da escola,
na sala de aula.
É quem lida com alunos reais
dia-a-dia olhando nos olhos de cada um.
Quem mais entende de Educação
é aquele que veste o “guarda-pó”,
carrega apagador e giz.
Quem mais entende de Educação
é o PROFESSOR.




(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação: a escola de que se fala e a escola de que se sofre, ABR Editora)






Coronelismo eletrônico

Antigamente a sociedade
reivindicava mais porque
“gastava” mais.
Hoje, quem é carente,
aluno carente, menor carente,
recebe bolsa escola,
bolsa família, bolsa etc...
Portanto, não tem o que
reivindicar, pois
recebem cadernos, lápis,
caneta, livros, uniformes.
Acabam perdendo
a noção de conquista
e dignidade.
Chega-se ao comodismo
do clientelismo do Estado
que controla tudo
mantendo o povo miserável
e ignorante.
Hoje a sociedade é
monitorada por câmeras,
a população é assistida pelo
Estado e dominada pela
própria ignorância.
Na era da Globalização
e da informática o
“coroné” evoluiu e
se modernizou.
A sociedade é vigiada
pelo coronelismo eletrônico.




(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação: a escola de que se fala e a escola de que se sofre, ABR Editora, 2009)



sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

O Quadro Negro da Educação

O objetivo é mais que provocar reflexões. O Quadro Negro da Educação não pretende consertar nem corrigir nada, mas incomodar, pois, só pensamos, refletimos e agimos quando nos sentimos incomodados com alguma coisa.
A humanidade só buscou novos horizontes superando obstáculos e ultrapassando barreiras e fronteiras porque se sentiu incomodada com a situação que se encontrava, portanto, buscou superar suas necessidades rompendo seus limites, criando meios para viver mais comodamente e acabou se acomodando demais.
Não pretendemos ensinar como se deve ensinar porque também não sabemos, mas só aprendemos quando eliminamos os bloqueios que nos impedem de aprender. Como escreveu o mestre Guimarães Rosa: “Mestre é aquele que continua sempre aprendendo”.
É preciso tirar a máscara, o “guarda-pó”, despir-se do figurino de professor, esquecer as correntes pedagógicas que defende, tirar o rótulo de educador para se livrar dos obstáculos que o impedem de compreender e aceitar propostas e novas idéias antes de conhecê-las e analisá-las.
A posição do professor é de sempre rejeitar, opor-se a qualquer texto que critique sua postura em sala de aula e dentro da escola. A proposta não é a de criticar a postura do professor, mas observar o conjunto em que está inserido e como se relaciona com as situações educacionais.
Para crescer é preciso analisar as propostas, descartar as ineficazes e assimilar as eficazes. Mas como saber quais as propostas eficazes se não conhecermos e experimentarmos?
Inovações e mudanças não são aceitas pelas pessoas com facilidade, pois muita gente não está tão receptiva. É difícil aceitar que somos falíveis, sensíveis, mutáveis, humanos e muitas vezes responsáveis por muitos erros. É mais fácil apontar o dedo e culpar “alguém”.
Só poderemos consertar algo ou melhorar nossa condição de trabalho quando aceitarmos que também fazemos parte do processo de melhoria e desenvolvimento da educação e da sociedade.
Muita gente mascara a realidade da escola. Quem está na escola e não fala como ela é de verdade, sofre sua pressão.
Ninguém conta o que realmente acontece dentro de uma instituição como a escola por medo de punição ou por cumplicidade. Todos escondem a realidade, a verdadeira realidade.
Não estamos falando de criticar a escola por criticar, pois não resolve os problemas da educação nem os do professor.
Quando criticamos só por criticar a instituição que estudamos ou trabalhamos estamos também condenando nosso futuro. Se dissermos que estudamos numa escola ruim, significa dizer que tivemos uma formação ruim. Se apresentarmos nosso currículo a uma empresa, o entrevistador poderá perguntar se estudamos naquela escola ruim. E se estudamos numa escola ruim, pode ser que sejamos profissionais ruins.
Se trabalhamos numa empresa – no caso escolas – e criticamos nosso trabalho, nossa função, nossos colegas – funcionários, diretores, etc. – apenas por criticar, também estamos nos condenando e nos taxando como professores ou funcionários ruins, pois somos membros daquilo que criticamos. Por isso, cuidado com o que se critica.
Sabemos que não é fácil ser professor, mas para quem acredita que é tão ruim ser professor é melhor mudar de profissão, pois quem vive fazendo o que não gosta, nunca poderá ser feliz nem pode progredir na profissão. Se for bom ser professor porque reclamar tanto? A reclamação torna-se um vício. Habitua-se a reclamar dos alunos, dos diretores, do governo, da família, da vida.
Não pretendemos julgar o professor, nem culpá-lo pelo fracasso da Educação. Entendemos que o maior problema da Educação é puramente político. Educação é um ato político, mas deve ter autonomia para se livrar dos politiqueiros que se declaram defensores da educação e apenas querem desviar sua verba.
Acreditamos que o único responsável por uma boa educação e capaz de satisfazer as necessidades das escolas e de seus envolvidos é o professor porque é quem pisa no chão da escola.
Acreditamos também que o professor precisa capacitar-se mais para acompanhar as mudanças da sociedade porque os alunos não são os mesmos de antes e não adianta lamentar que antigamente era assim ou assado, pois estamos no presente e o professor deve lecionar para o aluno do presente, mesmo que este aluno não esteja tão presente na sala de aula.
Nem o melhor professor do mundo consegue “ensinar” se o aluno não quer aprender. O aluno só aprende o que quer. Não aprende mesmo com o melhor professor se não quiser aprender. Mas o aluno aprende mesmo com o pior professor se tiver vontade de aprender.
O melhor professor só é o melhor porque tem os melhores alunos.
O melhor professor é VOCÊ!
Boa aula!




(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação: a escola de que se fala e a escola de que se sofre. ABR Editora, 2009)