quinta-feira, 23 de julho de 2009

O Professor




Ser professor é ser incomum, singular, impar. Suas qualidades estão além do que pode imaginar. É ser amado e odiado ao mesmo tempo, mais amado que odiado, felizmente. É ser moderno e arcaico simultaneamente. É estar certo e errado concomitantemente. É ser mestre e discípulo na mesma tautocronia. É ser herói e vilão com o mesmo sincronismo. É ser “legal e chato” ao mesmo tempo. Ser professor é ser mortal e imortal.
Meu primeiro dia numa sala de aula como professor foi emocionante. Semelhante a um orgasmo, sem exagero, êxtase total.Alguns anos de faculdade preparando-me para lecionar criaram um ideal platônico – talvez todo ideal seja platônico – um desejo profundo de entrar numa sala de aula e “dar aula”. É o sonho de todo professor, professorar, ensinar, ministrar a disciplina que estudou para lecionar. Ser formador de opiniões, revolucionar a educação e a sociedade.


(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação:
a escola de que se fala e a escola de que se sofre, ABR Editora, 2009)

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