sábado, 1 de janeiro de 2011

A escola de que sofremos

A escola de que sofremos é a escola real que existe fora do papel, no concreto mesmo. É a escola construída de bloco de cimento – com orçamento superfaturado -, com salas apertadas, abafadas no verão e geladas no inverno causando desconforto, incômodo e mal-estar. O som se espalha pela escola toda atrapalhando a aula da sala ao lado, pois não há acústica adequada para isolar o barulho e permitir uma audição agradável. A iluminação é precária, muitas vezes funciona apenas metade das lâmpadas porque a outra metade está queimada.
A maioria das escolas não possui biblioteca, mas depósito de papéis – livros velhos e embolorados – estragando ou calçando armários. Quando tem uma pseudo-biblioteca esta não pode ser chamada assim por não ter um bibliotecário formado para organizá-la, portanto é chamada de sala de leitura e quem cuida dela é sempre um professor readaptado que muitas vezes apesar da boa vontade, sofre por não ser capacitado para exercer tal função.




(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)

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