Muitos professores se desgastam tanto em sala de aula devido ao comportamento dos educandos que chegam a proferir que cada aula que “sofrem” buscam a cura no aconchego do lar. Um professor disse que quanto mais entra numa sala de aula mais ama sua família.
É confortante acreditar que a família do professor seja a cura para seu sofrimento, é sinal que há salvação, pelo menos para o professor.
Porém, infelizmente, a família também sofre porque o professor não suporta a carga do trabalho e descarrega também em casa, na família.
É lamentável ouvir isso, mas é a realidade da Educação brasileira. Os profissionais da educação estão cada vez mais desgastados, estressados e com depressão. Alguns sofrem o pânico da sala de aula. A profissão do professor se tornou um trabalho muito difícil por causa dos problemas que agravaram a educação.
Dizer que lecionar é um sacrifício, um sofrimento, tarefa árdua, significa que algo está errado, ou muitas coisas estão erradas. Talvez os professores não estejam preparados psicologicamente, como é mais fácil e comum se dizer. Talvez o sistema educacional esteja ultrapassado. Acredito que a Secretaria de Educação está cobrando algo dos professores que está além de suas competências. Os profissionais que trabalham em gabinetes não conhecem a realidade da Educação. São profissionais que nunca pisaram numa sala de aula de uma escola estatal ou se pisaram se esqueceram que ela existe.
Para os burocratas é interessante que fique comprovado que não é preciso professor para que o aluno aprenda. Basta um monitor, já que é um trabalho depressivo e causa tanta despesa para o estado.
Se a educação estatal se acabar, se a escola convencional se acabar, o que os professores farão?
Com a Educação a Distância e a escola em decadência quem serão os professores?
Imagine que o Estado feche as escolas. Economiza com manutenção de prédios, água, iluminação, merenda. Os professores e funcionários são exonerados. Economizam com salários, férias, décimo terceiro, bônus, licenças médicas. O Estado evita problemas com violência nas escolas e depredação de prédios. Então o governo implanta a Educação à Distância a partir do primeiro ano do ensino fundamental até o ensino superior. Parece loucura, alucinação. Pouco tempo atrás, era absurdo dizer que um dia existiriam faculdades à distância, hoje é realidade. Basta o Estado concentrar tudo num prédio, instalar uma central de computadores conectados à internet, alguns monitores transmitindo atividades e pronto. Sem sair de casa, o aluno “estuda”, é “avaliado”, “aprovado” e pronto. Acabam os problemas com professores, greves, paralisações e dores de cabeço para os governantes. Os professores então terão mais tempo para suas famílias.
(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)


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