domingo, 2 de janeiro de 2011

Existe vida pós-sala de aula?

Muitos professores reclamam das condições de trabalho, do baixo salário, do abuso de poder dos diretores, da falta de respeito dos alunos, da falta de reconhecimento da sociedade, da falta de investimento adequado do governo. As queixas são diversas. A insatisfação dos professores é grande. Muitos acreditam que suas vidas se desgraçaram. O pior é que com tanta reclamação e falta de esperança, os professores que sofrem ainda continuam sofrendo e reclamando e não deixam o magistério por falta de opção e até por falta de competência e habilidade para atuar em outras áreas.
Confesso que fiquei mais triste após alguns anos em sala de aula. Era mais alegre, disposto. Deve-se considerar que estou mais velho, mais maduro, desgastado, chato e rabugento. Talvez seja a “síndrome do professor”, ser chato e rabugento. As dificuldades pessoais, familiares, profissionais, financeiras, agravam os problemas. Não podemos culpar os alunos, nem os pais e nem mesmo o governo. É um conjunto de fatos que constroem situações agradáveis e também desagradáveis.
É verdade que muitos professores não se esforçam para melhorar a aula nem colabora para a melhoria do ensino, mas a maioria participa, luta, batalha para construir uma escola melhor, uma escola ideal, a escola de que falamos.





(Volpone de Souza, O Quadro Negro da Educação, ABR, 2009)

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